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            Na Praça Condi de Frontin em Jacareí, interior de São Paulo, um exaltar de ânimos jamais visto pelas redondezas deu o que falar.
            
           Conhecido por ser um dos maiores praticantes de Slackline do mundo, esporte onde você se equilibra numa corda e anda na mesma, João Pedro Mesquita, futuro nome internacional na área da Biologia, estava tranquilo em sua humildade residência - Já disse essa frase Michel Teló. Deitado e ouvindo uma moda de Reginaldo Rossi "Garçom", o jovem olhava para o teto, aumentava o volume, e berrava "Aô tendéu, carro de rico é Mercedes e carro de puta pobre é Corcel", e fazia de conta que disparava tiros para o teto simulando um revólver com a mão direita. Era só alegria.

            Eis que num determinado momento palmas interrompem o descanso do futuro biólogo: "Pá pá pá pá". João, um exemplo de educação e paciência, fez de conta que não escutou. "plá plá plá"novamente. "Aô gente, mas que desgraça", gritou João, saindo incomodado. Quando abriu o portão levou um susto: estava ali, como diz Victor e Léo, "ao vivo e em cores", Don Victor Corleone, o Poderoso Chefão, que ganhou o mundo todo há décadas num dos filmes mais prestigiados do cinema em todos os tempos. João, meio gaguejando tamanha emoção com alegria, disse que estava surpreso com a presença do chefe mais famoso da máfia italiana. A resposta veio em tom sereno: "quero aprender a praticar Slackline, e me disseram que você é o cara no esporte. Pago o que for preciso". João, que é fã incondicional de Victor Corleone, que daria tudo para aquele momento, respondeu: "até um Camaro?". Don Corleone disse: "Dinheiro aqui é solução meu bródi".

            Abraçados seguiram para a Praça Condi de Frontin, onde João estendeu uma faixa firme para iniciar a prática. Eis que no local uma pessoa estava encostada num poste, palitando os dentes, olhando com interesse para os dois amigos. Don Corleone aprendeu rápido. Nos primeiros momentos João segurava a mão dele, mas logo ele seguiu sozinho. "Olha só que gostoso", dizia enquanto pulava, caía de bunda na faixa, e subia com impulso novamente. João batia palmas e gritava "bravo, bravo", com um mega sorriso no rosto e o pensamento no Camaro.

            O velho que acompanhava tudo palitando os dentes estava cada vez mais próximo. Agora estava assobiando, enquanto aproximava da árvore onde estava amarrada uma das extremidades da corda/faixa. Eis que o idoso se tratava de Fidel Castro, que metido num crocks azul fazia de tudo para ser chamado para a brincadeira. João percebeu que ele queria ser convidado para praticar o esporte, mas o ignorou por completo.

           
         
            DonCorleone também percebeu, mas quando reconheceu o Coma Andante Fidel Castro, teve uma ideia. "E ai brow, tudo em cima?". Fidel desmanchou em um sorriso. Disse que sim. Dom Corleone perguntou se ele queria brincar daquilo, e Fidel balançou a cabeça querendo dizer sim. A corda, faixa, é elástica, de um material bem firme. Memorize essa informação.

            Dom Corleone colocou Fidel Castro com a cabeça na mesma altura da corda, bem do lado da mesma. Disse: "Fidel, agora fecha os olhos". Fidel Castro fechou os olhos com as mãos, e balançava as pernas de ansiedade para brincar. Eis que o nosso Poderoso Chefão esticou a faixa o quanto pôde no sentido contrário ao da cabeça do Coma Andante. De repente, quando não tinha mais forças para esticar a faixa, gritou: "Fidel, abra os olhinhos", e soltou a corda. Mal abriu os olhos e recebeu a pancada na boca: "Pláttttttt". Fidel saiu catando mamona, engasgado com a dentadura que parou lá atrás do esôfago. João se aproximou do velho para tentar ouvir: "Nhóm, nhom, nhóm". E João dizia que não estava entendendo nada. "Diga de novo com calma, querido". E Fidel, com a boca dormente do solavanco, dizia só gemidos e sons incompreensíveis. O Poderoso Chefão estava caído, rindo, rindo, de quase perder o fôlego. Fidel Castro percebeu que havia uma faixa preta na região da boca, e que a dentadura havia partido em uns cinquenta pedaços. Levantou com dificuldades, colocou a mão na escadeira e saiu gemendo: "Ai, ui, ui, ui, ai, ai, minha boquinha, meu beiço, como pode ter gente ruim assim no mundo". Entrou num Fusca verde ano 78 e rumou para a capital São Paulo, de onde fontes não confiáveis partiu para o apartamento do ex-presidente Lula.

            Dom Corleone agradeceu a João pelos ensinamentos, entrou num Opala ano 87, vinho, com estofado em cor creme, e saiu quietinho. João pensava no Camaro, mas ficou com medo de lembrar ao italiano sobre isso e sofrer retaliações. "Pelo menos conheci ele", pensava a todo momento. Quando João foi sobrar a corda, percebeu que fiapos de couro e cacos de dentes estavam presos num determinado local da corda. "Eu nunca vi uma pancada dessas; isso deve ter sido a mesma dor de que o coice de uma mula", pensou o jovem de Jacareí enquanto ia embora para casa.
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